Pactos: o poder e a inconsciência
Com a maior popularização das artes mágicas , ou melhor uma maior banalização, as pessoas de nossa cultura sedentas por terem uma vida mais plena, coisa que lhe foi roubada pelas religiões oficiais, acabam encontrando este aspecto mágico de uma forma “torta”.
Justamente por que funciona, a bruxaria não é para todos, muito menos para os fracos ela não deve ser . adotada pelos que não a conheçam, nem pelos que só têm interesse em resultados, mais do que adotar um novo estilo de vida; por que estes , com certeza , pularão etapas, procurarão caminhos mais curtos, sem ter uma noção do preço a ser pago.
Tudo começa com uma contrariedade na vida e uma fraqueza em se fazer frente a ela, pode ser um amor não correspondido, uma situação humilhante no trabalho, um fracasso, uma submissão servil a um pai/mãe/chefe , um desejo de vingança, de se sentir poderoso, de passar deixando um rastro de destruição e ver todos os que antes oprimiam, suplicando por perdão.
Sentimento comuns à Natureza Humana, confrontada com situações também comuns dentro de um sociedade onde respeito e um mínimo de civilidade são tão raros., todos passamos por eles , mas são estes desafios que podem fazer alguém forte ou fraco conforme as escolhas que faça.
Diante destes desafios ,o indivíduo de caráter mais fraco pode procurar realizar pactos, como uma forma de ter poderes ocultos mais fácil, contrastando com ele temos o perfil do bruxo, sábio e forte que se impões diante das forças e dos elementos, dominando-os com sua vontade e realizando a verdadeira magia.
A magia seduz a todos , é glamurosa, é atraente pensar em ver seus problemas solucionados “como que num passe de mágica”, um sonho partilhado por muitos, mas nem todos acreditam, e muito poucos conseguem.
Normalmente as pessoas mais crédulas, alimentadas por idéias fantásticas de livros , filmes e fantasias , e ainda constrangidas por situações de opressão continuada, tentada pela possibilidade de solução fácil e , algumas vezes, apocalíptica , de seus problemas, procuram também a magia, mas nem cogitam começar pela trabalho interno, pelo desenvolvimento dos poderes e nem por conhecer melhor aquilo em que está se metendo .
Destas, algumas procuram consultores espirituais que prometem soluções em três a sete dias, trazer de volta amor, amarrar pessoa amada ,etc. .
Outros procuram realizar seus atos de magia secretamente, sem orientação idônea, sem conhecimento, sem ter a mínima noção das conseqüências , sem saber se pode reverter, voltar atrás, aplicar antídoto, no caso de nem tudo sair como o previsto, ou mesmo a própria pessoa desistir no meio do caminho.
Saber, querer, ousar e calar, condições essenciais para a magia, não são meras palavras. Saber: significa o preparo de longos anos de aprendizados dos Mistérios e das Leis do Universo, o desenvolvimento da verdadeira sabedoria. Querer :não é o desejo motivado por uma forte emoção momentânea , é vontade consciente dirigida e controlada. Ousa: não é a atitude temerária de se lançar naquilo que desconhece, para querer desistir no meio do caminho, ousar é a atitude responsável de quem conhece, assume os riscos e confia. Calar: significa que a magia não é para exibição, nem assunto de conversa fiada com pessoas leigas., também significa calar o ruído externo e ouvir o silêncio.
Para ser um bruxo a pessoa precisa ter a bruxaria como propósito de alma , já que é um caminho sem volta e, não ser movido por qualquer necessidade urgente de momento, o que , também não significa que um bruxo não possa ter necessidades e problemas. Deve ter passado por uma seleção , um longo treinamento, de preferência supervisionado, onde entre outras coisas construirá sua força, sua personalidade mágica, aprendendo a resolver de forma corajosa os desafios comuns de sua existência deixando para a magia o que esteja além de sua condição.
Um bruxo não age covardemente, indignamente, não ataca pelas costas, não persegue ocultamente seus inimigos, nem fica se vangloriando de seus poderes ou tripudiando sobre os vencidos. Sua condição de iniciado o coloca sob juramento diante de Grandes Potências ao qual se sujeita por vontade própria e por reverência e não por troca de favores ou para exibir poderes que não sejam seus. Seus poderes são arduamente conquistados vencendo os desafios pelos quais passa durante o treinamento e por isso são seus, indelegáveis e só podem ser retirados pela autoridade que os concedeu.
Em seu auxílio existe toda uma Hierarquia de seres espirituais de diferentes dimensões aos quais tem acesso por sua integridade, lucidez, domínio sobre sua natureza e da Natureza em si , o conhecimento dos graus, círculos ,Leis e mapas que permitem não só o acesso, mas também o respeito de seres de qualquer dimensão. Nestas Hierarquias existem tanto os seres que se comprazem com o desenvolvimento e iluminação, como os que testam as suas fraquezas, estes seres a que me refiro não são os desencarnados, mas os seres planetários, angélicos etc.
Assim, quando a motivação é alguma fraqueza, egoísmo, inveja, orgulho, prepotência , arrogância , desejo de exibição, medo etc., a evocação destes seres já começa da forma errada e, costuma não surtir efeito algum , pois estes seres preferem responder ao chamado de alguém que valha à pena, além disto é preciso todo um cerimonial, instrumentos devidamente consagrados a este fim , além do preparo pessoal, ou seja, não é tão fácil.
Porém , encontramos com uma certa freqüência pessoas que foram bem sucedidas nestas evocações, mesmo sendo despreparadas, meramente curiosas e motivadas pelo desafio, no mais das vezes, os seres que aparecem nestas evocações são meros desencarnados pouco evoluídos que se comprazem em brincar de assustar intrusos em seu Universo, e estes sustos podem ir de aparições, sons e outros efeitos que acabam pondo fim a brincadeira, às vezes com seqüelas .
Mas estes “bruxos” podem ter o azar de atrair gênios, demônios e seres de altas Hierarquias de Luz ou das Trevas , normalmente preferem os das Trevas já que seus propósitos e condições envolvem fraquezas e vícios e com eles celebram pactos, acordos e tratos.
Como em Fausto, movidos pelos desejo de obter um Dom imerecido selam com sangue ou outros fluídos e entregam a alma. É bom lembrar que estes seres não saem por aí tentando as pessoas , pois exercem os seus poderes nas dimensões a que pertencem e só têm permissão para atuar nesta se forem procurados.
Para o indivíduo materialista que desconhece todo o Universo da espiritualidade, alma já é um conceito tão abstrato e longínquo de seu contexto de vida, que perdê-la nem parece ser grande coisa, poderia parecer pior perder um braço, dinheiro, namorada, a saúde etc., já que a alma parece já nem fazer parte de sua vida.
O ser evocado vai agir com presteza para conceder o desejo, cumprindo sua parte e , a partir do pacto toda a evolução espiritual, os dons, as habilidades da pessoa passam a seu poder. Assim, por exemplo, se o desejo foi por vingança o ser que correspondeu não era de Luz de modo que não se pode esperar realizar curas, ter inspirações, escolher boas companhias se está a mercê de seus poderes. O evocador terá a mesma especialização do ser ao qual se sujeitou.
Outra coisa, ninguém se torna poderoso por realizar pacto, pacto é escravidão, pode-se até, causar uma impressão poderosa aos outros, mas já será escravo nesta vida e , dependendo da extensão do pacto, após a morte irá para a dimensão do ser e lá permanecerá até que um dia possa ser dispensado ou opte por ser de lá mesmo. É praticamente o que os Cristão chamam de danação eterna.
Mas pode haver uma divisão na alma, e reencarnar e agir na terra com aparente autonomia, nem se lembrando do que fez e ,ainda assim, ser comandado, movido por forças superiores as suas, como acontece com pessoas possessas, com distúrbios mentais, com falhas de memória, compulsões, tendências maníacas, deficiências de caráter e outras características consideradas desumanas , já que não são provindas da natureza humana mesmo, também podem vir com dons mentais e espirituais diminuídos , pois só está parcialmente encarnado.
E aí vem a pergunta , e como se reverte esta situação ? Não se reverte, o indivíduo há de reencarnar e recomeçar sua senda evolutiva ,mesmo que tendo de voltar a condição de “ameba”. Pensando em termos da grandeza do Universo, um pacto pode ser visto como um entre os muitos caminhos no processo evolutivo de uma alma, mesmo que, após ter alcançado um certo grau na individuação , precise passar por uma completa dissolução e recomeçar como uma nova centelha a construir sua evolução; para as divindades isto não é nada, os milênios que se leve para crescer, as suas idas e vindas são insignificantes, mas para a alma que, de unicelular chegou ao ser humano médio, passar por tudo de novo é muito.
Na verdade a pressa em se desenvolver é nossa e, diante desta grandeza que só fala à alma, as mesquinharias de um amor não correspondido , as desditas de um chefe, vingancinhas, invejas, futricas, exibições são pequenas metas indignas demais e, só um verdadeiro bruxo conhece a dimensão desta verdade.
Quem queira fazer um pacto desiste de sua capacidade de sonhar , de poder escolher e mergulha no poço negro da inconsciência, o poder que aprisiona.
E existem pactos positivo? Normalmente seres evoluídos não pedem pactos, mas se um bruxo evoca um grande ser de Luz e com ele pratica atos nobres para a sua evolução, conhecimento, ou mesmo para bem dos outros este Ser pode numa próxima encarnação dotar com algum talento excepcional numa próxima vida.
É muito importante que , as pessoas e os jovens em especial diante de uma abertura da mídia para este tipo de assunto , procure, pelo menos maior informação, lembrando que em magia tudo tem preço e conseqüências, mesmo um ato aparentemente inofensivo como consultar Tábua Ouija, ou outros ritos que se encontra com facilidade em livrarias comuns, pode ter efeitos danosos à sua evolução.


